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Fórum acaba com críticas à falta de soluções para pobreza

Muitas idéias foram apresentadas em Vancouver, mas pouco na prática

Adriana Carranca

Na bolsa de pano e crochê feita por uma ONG de mulheres aborígines, distribuída aos participantes do 3º Fórum Mundial Urbano, encerrado ontem em Vancouver, no Canadá, os 6 mil delegados e 10 mil visitantes de 150 países reunidos desde segunda-feira levarão para casa muitas idéias, mas poucas respostas sobre como pô-las em prática. Ao menos, na escala necessária para acabar com a pobreza urbana e tornar as cidades sustentáveis, foco principal do evento.

Entre biscoitos orgânicos e cafezinhos servidos nos corredores do Centro de Convenções e Exibições de Vancouver, foram 5 dias, 15 sessões principais, 13 mesas-redondas, 9 workshops e 166 encontros paralelos, que somaram 453 horas de discussões em torno de três temas principais: inclusão social, parcerias e finanças e crescimento urbano e meio ambiente. O fórum reuniu 63 ministros, 1.497 governantes, 1.534 autoridades locais, 379 delegados da ONU, 2.384 ONGs e fundações, 1.187 representantes do setor privado e 1.442 instituições de ensino e pesquisa, entre outros. O Brasil participou com três secretários nacionais do Ministério das Cidades e representantes de prefeituras, universidades e movimentos sociais.

Após os debates, fica a pergunta: no que as cidades vão melhorar exatamente? Participantes brasileiros foram críticos com relação aos resultados do fórum, que tinha como objetivo principal, definido pelo UN-Habitat, transformar "idéias em ações". Desde o Hábitat 1, em 1976, o debate sobre a questão urbana avançou, resultando em maior conhecimento sobre os problemas urbanos e maior troca de experiência entre os países. A situação nas cidades, porém, piorou, com a população urbana aumentando em 1% ao ano, enquanto o número de pobres cresce 4%, em média, chegando a 7% em algumas cidades brasileiras, segundo a pesquisadora Érika de Castro, do Centro de Assentamos Humanos da Universidade British Columbia, em Vancouver.

DISTÂNCIA

"O abismo entre retórica e prática é enorme", criticou a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP Ermínia Maricato. "O assunto pobreza está em toda parte. Mas há resistência em admitir que o empobrecimento urbano se deu na década de 90, pós-Consenso de Washington, com o corte drástico nos gastos sociais. Há países na África, com 72%, dos habitantes em favelas. Isso não se resolve com projetos pontuais. Não se falou sobre isso no fórum", afirmou.

Para ela, a ONU deve reconhecer que são necessárias mudanças macroeconômicas que resultem em maior igualdade social, distribuição de renda e empregos. "O principal agente poluidor é a pobreza", admitiu Anna Tibajuka, subsecretária-geral da ONU e diretora-executiva do UN-Habitat, referindo-se ao avanço de assentamentos e favelas sobre áreas protegidas e às conseqüências da falta de água e saneamento. O mesmo para o trânsito, inflado pela explosão das periferias que sobrecarrega o transporte.

Emergencialmente, há muito a fazer. Mas, segundo participantes do fórum, os países pobres e em desenvolvimento precisam de mais financiamentos e mudanças nas regras de contabilidade pública, impostas por acordos internacionais, que permitam mais investimentos em infra-estrutura e moradia. Essa recomendação consta do documento assinado por Brasil, Índia e África do Sul, que será entregue à UN-Habitat.

Os brasileiros criticaram a falta de avaliações sobre as políticas urbanas adotadas desde o Hábitat 1. "Ninguém discutiu o que deu certo ou errado", diz Nadia Somekh, ex-presidente do Emurb. Ela apontou para o surgimento de novos problemas urbanos, como crime organizado e exclusão digital. "A agenda está desatualizada."

"Não queremos que saia daqui mais uma declaração. O debate é o importante", disse o comissário-geral do fórum, Charles Kelly. "Veja a experiência das mulheres em Lima, capacitadas para construir suas casas após um terremoto, ou de Nova Déli, onde moradores fazem policiamento comunitário nas favelas com a polícia. Se levarem daqui uma idéia que virará ação, estarei satisfeito." O próximo Fórum Mundial Urbano será em 2008 em Najing, na China.



Escrito por marcelo às 06h07
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