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  UFRJ desenvolve projeto de casas econômicas e ecológicas

Protótipos residenciais, comerciais e industriais reduzem poluição e consumo de energia

Karine Rodrigues

A distância, as três mais novas construções do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na Ilha do Fundão, zona norte, chamam atenção pelas linhas harmônicas e a graça de detalhes decorativos desenvolvidos com os próprios tijolos da fachada. De perto, o olhar é desviado para o telhado escuro e o bambu, presente nas janelas e em toda a estrutura interna de sustentação. O mais inovador do projeto, porém, fica invisível: uma redução média de 250% na emissão de carbono na atmosfera e uma expectativa de economia de até 90% no consumo de energia.

As construções formam o Centro de Energia e Tecnologia Sustentáveis (CETS), uma iniciativa do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ em parceria com a Eletrobrás, num investimento total de R$ 932 mil. Inaugurado ontem, o complexo ecossustentável foi erguido dando prioridade para os materiais renováveis e também para os produzidos com gasto de energia bem inferior ao registrado com as matérias-primas tradicionais. No total, são 500 metros quadrados de área construída, divididas em imóveis para três usos diferenciados: habitacional, comercial e industrial.

Na linha do carro 1.0, a casa ecológica tem 46 metros quadrados, dois quartos, cozinha americana, sala e banheiro. No telhado, fibra de coco; nas paredes, tijolo de solo-cimento. "Vamos monitorar tudo por aqui: consumo de energia, comportamento dos materiais, temperatura... Queremos comprovar a eficiência do projeto. E, depois, comercializá-lo. A casa popular pode se tornar uma alternativa ecologicamente sustentável e barata", disse Luiz Pinguelli Rosa, coordenador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG) da Coppe.

"A casa pode ajudar a resolver o problema do déficit habitacional. E queremos fazer isso protegendo e trazendo a natureza para perto de nós, pois ela foi rechaçada com o adensamento das cidades", acrescentou a arquiteta Sylvia Rola, uma das mentoras do projeto da Coppe. Segundo ela, o material usado na cobertura da casa é facilmente encontrado em qualquer aterro sanitário. "No Rio, o consumo de coco é muito grande. Quando jogado no lixo, ele acaba virando gás metano, um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa. A celulose que usamos também é reaproveitada, pois vem de papel reciclado."

Outro material que tem um menor gasto de energia na sua produção é o tijolo feito com solo do próprio local, por meio da técnica conhecida como solo-cimento. Sylvia ressalta que, além de reduzir os custos em relação ao tijolo cerâmico, reduz consideravelmente a emissão de gás carbônico, liberado durante a queima da argila. Assim como a casa popular, um projeto de Andressa Martinez e Carolina Oliveira Lima, ele também foi desenvolvido por alunos da Coppe. "É terra prensada, evitando a queima de combustível", explicou Sylvia.

BAMBU E TELHADO VERDE

Igualmente renovável é o bambu usado na estrutura do telhado, fibra natural muito resistente, usado em substituição ao aço e à madeira. As construções têm ainda pé-direito alto, elemento que valoriza as condições de iluminação e ventilação do local. Outra inovação é o "telhado verde", no qual uma laje instalada na cobertura da casa recebe um determinado tipo de planta que absorve água da chuva e radiação solar, reduzindo a temperatura ambiente.

As duas outras construções são uma nova sede do IVIG e um galpão de 220 metros quadrados, onde vai funcionar a planta piloto para produção e análise de biodiesel, com capacidade para fabricar 10 mil litros por dia, aumentando para 25 mil o total produzido pela Coppe. No instituto, serão desenvolvidas pesquisas para verificar a eficiência das construções.

Pinguelli contou que a iniciativa, multidisciplinar, começou a ser desenvolvida há seis anos, reunindo pesquisadores da Coppe. Sobre o projeto do biodiesel, disse que o material produzido está sendo testado no Rio, em caminhões da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). Mais adiante, a planta inaugurada ontem será transferida para o interior do Pará, com a finalidade de substituir o diesel usado na geração de energia elétrica em pequenas localidades. "O País gasta, por ano, R$ 4 bilhões em subsídios para o óleo diesel que garante energia elétrica no interior do Amazonas. É um gasto que pode ser economizado usando vegetais da região", observou.



Escrito por marcelo às 04h19
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