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O ESTADO DE S. PAULO - 15/05/2006

Maria Ruth Amaral de Sampaio: Professora da FAU e especialista em habitação precária

´60% do espaço urbano é feito sem intervenção profissional´
Entrevista
Maria Ruth diz que cortiços são instituição antiga e pouco conhecida, e que universidade tem muito a contribuir
Especialista em habitação precária, a socióloga Maria Ruth Amaral de Sampaio, diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) entre 1998 e 2002 e atual professora e coordenadora do Laboratório de Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo, defende o envolvimento prático de estudantes das diversas áreas de ensino no desenvolvimento de soluções para a cidade. Ela coordena, no Brasil, o programa Profissionais da Cidade, da Unesco, que procura incentivar a aproximação entre universidade e sociedade.

A universidade está distante da vida real?
Unir a prática à atividade acadêmica e aproveitar a produção de conhecimento resultante dessas experiências é um dos objetivos perseguidos pela FAU. Hoje, 60% do espaço urbano é produzido sem intervenção profissional adequada. Os universitários precisam de experiência. E o conhecimento deles seria útil no desenvolvimento de soluções para a cidade ao mesmo tempo em que contribuiria para sua capacitação. O que falta é um incentivo às universidades públicas e privadas. Em São Paulo, fizemos uma tentativa de parceria com a prefeitura, na gestão Marta Suplicy (PT), para dar bolsas aos estudantes envolvidos em projetos da cidade, mas não foi para frente.

Como surgiu o projeto de requalificação do prédio na Rua Solon?
Em 2002, propusemos aos alunos da disciplina Habitação Popular Paulistana que fizessem seu projeto de pesquisa in loco no cortiço e eles aceitaram. O o projeto contou com o apoio e a organização dos moradores, o trabalho de outras faculdades, a iniciativa privada, ONG, mas teve pouco apoio do poder público. A idéia era que fosse um projeto piloto a ser estendido pela prefeitura a outros cortiços do centro.

Qual é a solução para os cortiços?
O cortiço é a mais antiga forma de habitação precária em São Paulo. Existe desde o século 19. É também a menos estudada. Por isso, a experiência da Rua Solon é importante. Incentivar a participação da iniciativa privada e das universidades na promoção da habitação de interesse social é uma alternativa a ser perseguida.
Os atuais programas, como o de Arrendamento Residencial, da Caixa Econômica Federal, assim como outros estaduais e federais, têm atuação limitada.
Eles exigem a regularização do imóvel. Mas a maioria da população em situação precária vive em locais irregulares. Isso dificulta sua aplicação. O mesmo ocorre com o Fundo Nacional de Habitação.

Qual a principal urgência da habitação em São Paulo?
O atendimento da população que mora em local de risco de incêndios, inundações, deslizamentos. Parte do problema poderia se resolver com a requalificação dos vários prédios abandonados no centro. O direito à moradia digna é garantido tanto pela Constituição quanto pelo Plano Diretor de São Paulo. ? A.C.


Escrito por marcelo às 04h44
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FOLHA DE S. PAULO - 14/05/2006

1ª casa modernista do país está em ruínas

FABIO SCHIVARTCHE
DA REPORTAGEM LOCAL

A Casa Modernista da Vila Mariana, um dos imóveis mais importantes da arquitetura de São Paulo, está em ruínas e sua situação é considerada "emergencial" pelos órgãos que cuidam do patrimônio cultural e histórico.
Dois laudos técnicos, realizados em julho de 2005 e em janeiro deste ano, indicam que há risco imediato para a integridade da construção. Mesmo após os alertas, o Estado nada fez na prática para evitar a degradação.
Portas e janelas quebradas permitem a entrada da chuva e do vento. Não há assoalho no primeiro andar, a fiação elétrica está exposta e a ferrugem corrói o que restou. Com a ação da umidade, todas as partes montadas com madeira estão apodrecendo.
O golpe de misericórdia foi dado em março, com a queda de uma árvore de mais de 20 metros de altura, que danificou as paredes e o telhado de um anexo do imóvel, tombado desde os anos 1980. Há dezenas de árvores de grande porte no jardim ao redor que ameaçam cair sobre a casa.
Construída em 1927 pelo arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik para servir como sua residência na cidade, o imóvel transformou-se em um marco nacional: é a primeira casa da arquitetura modernista no país.
Foi uma revolução para a época. O interior da casa seguia os preceitos modernistas de funcionalidade. Em vez dos detalhes rebuscados, a casa exibia linhas geométricas. As cores fortes -paredes vermelhas e verde-limão, cortinas azuis e estofados de veludo violeta- e a decoração eram uma novidade na cidade, cuja elite ainda vivia sob a influência cultural dos antigos barões do café.
Atualmente, a casa está coberta por tapumes, uma tentativa de esconder o abandono. Do lado de fora, os cerca de 50 visitantes que diariamente freqüentam o parque de 13 mil metros quadrados ao redor da casa nada vêem. As visitações estão proibidas. Nem mesmo os escoteiros que treinam todos os sábados entre as árvores do parque podem entrar.

Descaracterização
Segundo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), "o edifício perdeu muitos de seus componentes originais, quer pelas obras de recuperação [paralisadas há mais de quatro anos], quer pelo processo de deterioração que o atingiu".
Para o DPH (Departamento do Patrimônio Histórico da prefeitura paulistana), que vistoriou o imóvel em janeiro deste ano, "o estado de conservação do bem tombado é precário".
A casa foi tombada no ano de 1984, depois de disputa entre os herdeiros do arquiteto Warchavchik e moradores da região, que impediram a instalação de um condomínio e transformaram a área em um parque.

Restauro incompleto
Em 2001, a Secretaria de Estado da Cultura iniciou o restauro da Casa Modernista. No ano seguinte, a Folha noticiou o projeto de recuperação do imóvel anunciado pelo governo estadual. Seriam gastos R$ 1 milhão para a restauração completa. Mas, na prática, apenas o telhado e alguns azulejos dos banheiros foram trocados.
A secretaria recebeu a cópia dos dois documentos, que contam com fotos do imóvel. Mas nada foi feito para minimizar a degradação da casa.
Sem se identificar, funcionários que lá trabalham contam que eles próprios se organizam para cuidar do jardim. Outras árvores de grande porte ameaçam cair. Mas, sem equipamentos e com a demora da burocracia para liberar a poda em uma área tombada, eles pouco podem fazer.
O governo estadual alega que a reforma está incompleta porque houve demora na obtenção de licenças da prefeitura e na liberação da verba do Orçamento.
O DPH, órgão da Prefeitura de São Paulo, contesta. "Faltou dinheiro por parte do Estado e houve problemas na condução da obra", afirma Mirthes Baffi, diretora da divisão de preservação do departamento.
Ela nega que os órgãos municipais que cuidam do patrimônio público tenham dificultado a continuidade da reforma, afirmando que a obra parou antes mesmo de necessitar do aval da prefeitura.
"A restauração estava anulando certos elementos originais da Casa Modernista, com a troca das vigas estreitas de madeira que sustentavam o piso. Gastou-se tempo e dinheiro para consertar o erro cometido. E agora o imóvel sofre com a falta de verbas", diz Baffi.

"Falta de interesse"
Para o arquiteto e sociólogo Nestor Goulart Reis Filho, professor de história do urbanismo da USP (Universidade de São Paulo), o descaso com a Casa Modernista de Warchavchik é "um reflexo da falta de interesse político com a preservação da história nacional".
"O valor cultural da obra de arte, da qual a arquitetura faz parte, não é objetivo, mas simbólico. Se os órgãos de governo não reconhecem esse valor, a população terá mais dificuldades para compreendê-lo", diz Reis Filho.
O vereador Juscelino Gadelha (PSDB), membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental, o Conpresp, afirma que são necessários mais recursos. "São Paulo perde sua memória com a degradação de prédios históricos", diz.

 



Escrito por marcelo às 05h29
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OUTRO LADO

Estado diz que verba a atrasou, mas fará reforma

DA REPORTAGEM LOCAL

O governo do Estado de São Paulo diz que conseguiu recentemente a liberação de R$ 500 mil para continuar as obras de recuperação da Casa Modernista da Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
Segundo a diretora do Departamento de Formação Cultural da Secretaria da Cultura, Maria Bernardete Passos, está sendo feita a licitação para os reparos. "Atrasou por vários motivos. Primeiro, o órgão municipal de patrimônio histórico [Conpresp] só autorizou a obra em dezembro do ano passado. E, neste ano, o Orçamento do Estado só foi votado em fevereiro pela Assembléia Legislativa. A verba, até então, não estava liberada."
Ela diz que foram liberados R$ 500 mil para a primeira etapa -"obras emergenciais para recuperar a estrutura". Maria Bernardete calcula em R$ 3 milhões o total necessário para revitalizar o imóvel e o parque.
Sobre a poda das árvores, diz que o pedido já foi remetido ao Condephaat, órgão estadual responsável pelo patrimônio histórico.
(FS)

Por estilo, arquiteto mudava planta

DA REPORTAGEM LOCAL

Nascido na Ucrânia em 1896, Gregori Warchavchik tornou-se um dos mais importantes nomes da arquitetura moderna brasileira. Ele emigrou para São Paulo em 1923 e, quatro anos mais tarde, casou-se com Mina Klabin, filha de um grande industrial da elite.
São de sua autoria os projetos das sedes de clubes tradicionais da cidade, como Paulistano, Hebraica, Tietê e Pinheiros.
Suas iniciativas, no entanto, não foram consenso naquela época. Warchavchik teve dificuldades para colocar em prática as suas concepções arquitetônicas, que davam preferência às formas geométricas. A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, não aprovava as fachadas lisas que ele projetava.
Para contornar o problema e tocar a empreitada a seu gosto, o ucraniano incluía ondulações na planta original da construção -e obtinha, com isso, a aprovação.
Quando precisava da liberação para a moradia, afirmava que a obra estava "inacabada" por falta de recursos. E novamente ganhava o aval oficial.
A Casa Modernista da Vila Mariana, na zona sul paulistana, foi a maneira que Warchavchik encontrou para pôr em prática suas idéias inspiradas na Semana de Arte Moderna de 1922, com o uso de de materiais novos, como ferro, vidro e concreto armado, e a idéia de que a beleza é resultante das soluções lógicas e técnicas ditadas pela funcionalidade.
Gregori Warchavchik morreu em 1972, quando estava com 76 anos. Sua obra na Vila Mariana foi tombada nos anos 1980.



Escrito por marcelo às 05h29
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