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Fórum acaba com críticas à falta de soluções para pobreza

Muitas idéias foram apresentadas em Vancouver, mas pouco na prática

Adriana Carranca

Na bolsa de pano e crochê feita por uma ONG de mulheres aborígines, distribuída aos participantes do 3º Fórum Mundial Urbano, encerrado ontem em Vancouver, no Canadá, os 6 mil delegados e 10 mil visitantes de 150 países reunidos desde segunda-feira levarão para casa muitas idéias, mas poucas respostas sobre como pô-las em prática. Ao menos, na escala necessária para acabar com a pobreza urbana e tornar as cidades sustentáveis, foco principal do evento.

Entre biscoitos orgânicos e cafezinhos servidos nos corredores do Centro de Convenções e Exibições de Vancouver, foram 5 dias, 15 sessões principais, 13 mesas-redondas, 9 workshops e 166 encontros paralelos, que somaram 453 horas de discussões em torno de três temas principais: inclusão social, parcerias e finanças e crescimento urbano e meio ambiente. O fórum reuniu 63 ministros, 1.497 governantes, 1.534 autoridades locais, 379 delegados da ONU, 2.384 ONGs e fundações, 1.187 representantes do setor privado e 1.442 instituições de ensino e pesquisa, entre outros. O Brasil participou com três secretários nacionais do Ministério das Cidades e representantes de prefeituras, universidades e movimentos sociais.

Após os debates, fica a pergunta: no que as cidades vão melhorar exatamente? Participantes brasileiros foram críticos com relação aos resultados do fórum, que tinha como objetivo principal, definido pelo UN-Habitat, transformar "idéias em ações". Desde o Hábitat 1, em 1976, o debate sobre a questão urbana avançou, resultando em maior conhecimento sobre os problemas urbanos e maior troca de experiência entre os países. A situação nas cidades, porém, piorou, com a população urbana aumentando em 1% ao ano, enquanto o número de pobres cresce 4%, em média, chegando a 7% em algumas cidades brasileiras, segundo a pesquisadora Érika de Castro, do Centro de Assentamos Humanos da Universidade British Columbia, em Vancouver.

DISTÂNCIA

"O abismo entre retórica e prática é enorme", criticou a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP Ermínia Maricato. "O assunto pobreza está em toda parte. Mas há resistência em admitir que o empobrecimento urbano se deu na década de 90, pós-Consenso de Washington, com o corte drástico nos gastos sociais. Há países na África, com 72%, dos habitantes em favelas. Isso não se resolve com projetos pontuais. Não se falou sobre isso no fórum", afirmou.

Para ela, a ONU deve reconhecer que são necessárias mudanças macroeconômicas que resultem em maior igualdade social, distribuição de renda e empregos. "O principal agente poluidor é a pobreza", admitiu Anna Tibajuka, subsecretária-geral da ONU e diretora-executiva do UN-Habitat, referindo-se ao avanço de assentamentos e favelas sobre áreas protegidas e às conseqüências da falta de água e saneamento. O mesmo para o trânsito, inflado pela explosão das periferias que sobrecarrega o transporte.

Emergencialmente, há muito a fazer. Mas, segundo participantes do fórum, os países pobres e em desenvolvimento precisam de mais financiamentos e mudanças nas regras de contabilidade pública, impostas por acordos internacionais, que permitam mais investimentos em infra-estrutura e moradia. Essa recomendação consta do documento assinado por Brasil, Índia e África do Sul, que será entregue à UN-Habitat.

Os brasileiros criticaram a falta de avaliações sobre as políticas urbanas adotadas desde o Hábitat 1. "Ninguém discutiu o que deu certo ou errado", diz Nadia Somekh, ex-presidente do Emurb. Ela apontou para o surgimento de novos problemas urbanos, como crime organizado e exclusão digital. "A agenda está desatualizada."

"Não queremos que saia daqui mais uma declaração. O debate é o importante", disse o comissário-geral do fórum, Charles Kelly. "Veja a experiência das mulheres em Lima, capacitadas para construir suas casas após um terremoto, ou de Nova Déli, onde moradores fazem policiamento comunitário nas favelas com a polícia. Se levarem daqui uma idéia que virará ação, estarei satisfeito." O próximo Fórum Mundial Urbano será em 2008 em Najing, na China.



Escrito por marcelo às 06h07
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  UFRJ desenvolve projeto de casas econômicas e ecológicas

Protótipos residenciais, comerciais e industriais reduzem poluição e consumo de energia

Karine Rodrigues

A distância, as três mais novas construções do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na Ilha do Fundão, zona norte, chamam atenção pelas linhas harmônicas e a graça de detalhes decorativos desenvolvidos com os próprios tijolos da fachada. De perto, o olhar é desviado para o telhado escuro e o bambu, presente nas janelas e em toda a estrutura interna de sustentação. O mais inovador do projeto, porém, fica invisível: uma redução média de 250% na emissão de carbono na atmosfera e uma expectativa de economia de até 90% no consumo de energia.

As construções formam o Centro de Energia e Tecnologia Sustentáveis (CETS), uma iniciativa do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ em parceria com a Eletrobrás, num investimento total de R$ 932 mil. Inaugurado ontem, o complexo ecossustentável foi erguido dando prioridade para os materiais renováveis e também para os produzidos com gasto de energia bem inferior ao registrado com as matérias-primas tradicionais. No total, são 500 metros quadrados de área construída, divididas em imóveis para três usos diferenciados: habitacional, comercial e industrial.

Na linha do carro 1.0, a casa ecológica tem 46 metros quadrados, dois quartos, cozinha americana, sala e banheiro. No telhado, fibra de coco; nas paredes, tijolo de solo-cimento. "Vamos monitorar tudo por aqui: consumo de energia, comportamento dos materiais, temperatura... Queremos comprovar a eficiência do projeto. E, depois, comercializá-lo. A casa popular pode se tornar uma alternativa ecologicamente sustentável e barata", disse Luiz Pinguelli Rosa, coordenador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG) da Coppe.

"A casa pode ajudar a resolver o problema do déficit habitacional. E queremos fazer isso protegendo e trazendo a natureza para perto de nós, pois ela foi rechaçada com o adensamento das cidades", acrescentou a arquiteta Sylvia Rola, uma das mentoras do projeto da Coppe. Segundo ela, o material usado na cobertura da casa é facilmente encontrado em qualquer aterro sanitário. "No Rio, o consumo de coco é muito grande. Quando jogado no lixo, ele acaba virando gás metano, um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa. A celulose que usamos também é reaproveitada, pois vem de papel reciclado."

Outro material que tem um menor gasto de energia na sua produção é o tijolo feito com solo do próprio local, por meio da técnica conhecida como solo-cimento. Sylvia ressalta que, além de reduzir os custos em relação ao tijolo cerâmico, reduz consideravelmente a emissão de gás carbônico, liberado durante a queima da argila. Assim como a casa popular, um projeto de Andressa Martinez e Carolina Oliveira Lima, ele também foi desenvolvido por alunos da Coppe. "É terra prensada, evitando a queima de combustível", explicou Sylvia.

BAMBU E TELHADO VERDE

Igualmente renovável é o bambu usado na estrutura do telhado, fibra natural muito resistente, usado em substituição ao aço e à madeira. As construções têm ainda pé-direito alto, elemento que valoriza as condições de iluminação e ventilação do local. Outra inovação é o "telhado verde", no qual uma laje instalada na cobertura da casa recebe um determinado tipo de planta que absorve água da chuva e radiação solar, reduzindo a temperatura ambiente.

As duas outras construções são uma nova sede do IVIG e um galpão de 220 metros quadrados, onde vai funcionar a planta piloto para produção e análise de biodiesel, com capacidade para fabricar 10 mil litros por dia, aumentando para 25 mil o total produzido pela Coppe. No instituto, serão desenvolvidas pesquisas para verificar a eficiência das construções.

Pinguelli contou que a iniciativa, multidisciplinar, começou a ser desenvolvida há seis anos, reunindo pesquisadores da Coppe. Sobre o projeto do biodiesel, disse que o material produzido está sendo testado no Rio, em caminhões da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). Mais adiante, a planta inaugurada ontem será transferida para o interior do Pará, com a finalidade de substituir o diesel usado na geração de energia elétrica em pequenas localidades. "O País gasta, por ano, R$ 4 bilhões em subsídios para o óleo diesel que garante energia elétrica no interior do Amazonas. É um gasto que pode ser economizado usando vegetais da região", observou.



Escrito por marcelo às 04h19
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HABITAÇÃO
Arquiteto propõe casas embaixo do viaduto
Publicado em 04.06.2006 Jornal do Commercio (PE)

Sugestão é aproveitar o local, historicamente ocupado por pessoas pobres, para transformá-lo em áreas agradáveis para moradia. Legislação, no entanto, proíbe esse tipo de ocupação

Habitações debaixo de viaduto são sempre associadas a casebres de tábua amontoados, sem ventilação e mal iluminados. Mas, se o lugar é historicamente ocupado por pessoas pobres, por que não transformá-lo em áreas agradáveis para moradia? A hipótese é levantada pelo arquiteto Gentil Porto Filho, professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

De antemão, ele avisa que a proposta tem como função divulgar possibilidades, pois a legislação urbanística proíbe ocupação sob viadutos. “É o resgate do caráter experimental e poético da arquitetura, não podemos ficar repetindo e aplicando técnicas e soluções já conhecidas, estou lançando um debate”, diz o arquiteto.

Gentil criou um catálogo de idéias, batizado de Menu, com quatro tipos de soluções arquitetônicas. Além das casas populares sob o viaduto, com varandas e janelas, ele apresenta proposta para um centro metropolitano no cruzamento das Avenidas Agamenon Magalhães e Conde da Boa Vista, na área central do Recife.

O Max-Mix (nome dado ao projeto) teria escritórios, centro de compras, centro de convenções, hotéis, restaurantes, habitações, equipamentos para esporte e lazer, em 250 mil metros quadrados de área. Gentil sugere, ainda, que o construtor poderia recuperar a infra-estrutura viária e espaços públicos da região, como contrapartida pelo empreendimento.

Outra hipótese aventada pelo arquiteto é de um prédio de apartamentos duplex, que ele chama Oitão, com espaços laterais abertos para as duas fachadas, onde seria possível colocar piscina, churrasqueira, cesta para basquete. “Esse espaço não é varanda, mas uma área de lazer, mesclando casa com apartamento”, explica. É voltado para a classe média.

A última opção do Menu prevê um equipamento turístico e cultural sobre os arrecifes que saem do Pina em direção ao Bairro do Recife. O Deck contempla pousadas, lojas, bares, restaurantes, quadras esportivas, piers e museu. “É uma tentativa de fazer algo auto-sustentável, com cunho social e ambiental”, comenta. A contrapartida para o projeto seria garantia de emprego, qualificação de mão-de-obra e educação ambiental.

“Não estou propondo soluções prontas, são hipóteses passíveis de serem executadas. Esse é um material de criação, não é arte utilitária. Como ocorre na arte, não resulta em alterações físicas na cidade, mas abre uma nova forma de pensar e reorganizar a realidade.”

Ele esclarece que o trabalho é uma iniciativa autônoma e que a legislação urbanística da cidade também não permite projetos como o Max-Mix e o Deck. A proposta das casas populares é denominada Sobrado.



Escrito por marcelo às 07h45
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Quarta-feira, 31 maio de 2006

Paulo Mendes da Rocha recebe prêmio em Istambul

Ele é o segundo brasileiro a ganhar o Pritzker, tido como o Nobel do setor; o primeiro foi Niemeyer, em 1988

Alessandra Pereyra

O arquiteto Paulo Mendes da Rocha, de 78 anos, recebeu ontem em Istambul, na Turquia, o Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2006. Em cerimônia no Palácio Dolmabahçe, um dos mais imponentes da cidade, Mendes da Rocha foi homenageado com um jantar e recebeu a medalha de ouro pelo prêmio, considerado o Nobel da arquitetura mundial. As comemorações continuam hoje com mais uma cerimônia no palácio, na qual haverá discurso do brasileiro.

O anúncio do prêmio foi feito em 10 de abril pela Fundação Hyatt, com sede em Chicago (EUA). É a segunda vez que um brasileiro é premiado. Em 1988, foi Oscar Niemeyer.

A Fundação Hyatt criou o Prêmio Pritzker há 27 anos para homenagear nomes da arquitetura internacional em vida, que tenham "contribuído consistentemente para o desenvolvimento da humanidade". Da galeria de vencedores fazem parte o americano Frank O. Gehry, o espanhol Rafael Moneo e o italiano Renzo Piano.

Quando soube da premiação, Mendes da Rocha disse se sentir honrado e feliz.

Para marcar a conquista, o Museu da Casa Brasileira prepara a Semana Paulo Mendes da Rocha, entre 19 e 25 de junho, com visitas às principais obras do arquiteto, como Loja Forma, Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), Ginásio do Clube Paulistano, Centro Cultural Fiesp (roteiro 1) e Praça do Patriarca, Pinacoteca do Estado, Museu da Língua Portuguesa (roteiro 2). No sábado, dia 24, às 10 horas, haverá um monitor no Poupatempo Itaquera para explicar o projeto. Os ingressos vão custar R$ 10,00 (R$ 5,00 para estudantes). As reservas podem ser feitas pelo telefone (0xx11) 3337-5633.

Mendes da Rocha nasceu em Vitória, no Espírito Santo, e vive em São Paulo. Ex-professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), conquistou vários prêmios, entre eles o Mies Van Der Rohe para a Arquitetura Latino-Americana, que deu reconhecimento internacional à sua obra. Ele também participou da final do concurso para o projeto do Centro Pompidou, em 1972, em Paris, e desenhou o pavilhão brasileiro na Expo'70, realizada em Osaka, no Japão.



Escrito por marcelo às 05h25
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Vencedor do polêmico concurso do Minhocão

Vista lateral (maquete eletrônica)

O concurso de idéias que gerou o rompimento entre o IAB-SP e a Prefeitura tem um vencedor - o escritório Frentes Arquitetura, de José Alves e Juliana Corradini.
A proposta do vencedor é a de implantar um parque suspenso em toda a extensão do elevado sem alterar o fluxo do trânsito que circularia, sob uma laje, apoiada em estruturas metálicas com proteção acústica nas laterais. Desta forma, seria permitida a passagem de veículos 24 horas por dia, em todos os dias da semana.
Em função de o elevado estar em uma das áreas mais adensadas da cidade, o tráfego de veículos é proibido aos domingos e à noite, das 21h30 às 6h30, de segunda a sábado. Por isso, falou-se muito no início sobre uma possível demolição total ou parcial dos 3,4 km de extensão da via por onde hoje passam, diariamente, 80 mil veículos.
Ciclovias, pistas de skate, play-grounds, bancas de revistas, postos policiais e de informações turísticas, cafeterias e lanchonetes complementariam a revitalização da área, gerando mais qualidade de vida para os moradores.
O trabalho foi escolhido por unanimidade dos sete membros da comissão de avaliação, por promover uma melhor convivência da cidade com o Minhocão, a um custo relativamente baixo (R$ 86 milhões) e parcialmente sustentável devido à possibilidade de aluguel de espaços públicos.
Em segundo lugar, ficou o trabalho do arquiteto Fernando Ventura Gutierrez. Em terceiro, o do arquiteto Marcel Alex Monacelli. Os prêmios, de R$ 50 mil, R$ 30 mil e R$ 20 mil, serão entregues nos próximos dias, após o período de apresentação de recursos.
Conforme a lei, a concessão do Prêmio Prestes Maia de Urbanismo outorga à Prefeitura o direito de propriedade patrimonial dos trabalhos vencedores, mas não obriga o governo municipal a executar o projeto.
Todos os 46 trabalhos que participaram do certame estão expostos ao público no saguão do Edifício Matarazzo, no Viaduto do Chá, sede da Prefeitura de São Paulo.


Vista aérea (maquete eletrônica)


Escrito por marcelo às 15h47
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Lucio Costa tem um site

Está no ar um site inteiramente dedicado à vida e obra do Arquiteto e Urbanista Lucio Costa. O menu apresenta acesso à arquivos de imagens, áudios e videos com depoimentos de arquitetos, amigos, familiares e do próprio Lucio Costa dissertando sobre a implantação de Brasília.


O site reúne toda a cronologia, o acervo e as lembranças do arquiteto que, como se sabe, guardava tudo, desde pequenos lembretes e desenhos até os seus maiores projetos.
Vale a pena uma visita sem pressa.

http://www.casadeluciocosta.org



Escrito por marcelo às 15h14
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18/5/2006 - PROJETO DESIGN
A ESCOLA QUE NASCEU GRAFITADA
Unidade de ensino do FDE projetada por Angelo Bucci e Álvaro Puntoni com obras do artista plástico Speto

 

       
 
  As peças que servem de suporte aos grafites de Speto também têm a função de brises
       
 
Brises de madeira e obras de
arte dão destaque à quadra
 

A escola estadual de ensino médio desenhada por Angelo Bucci e Álvaro Puntoni foi implantada no bairro do Tremembé, zona norte de São Paulo. A concepção pavilhonar é conseqüência da modulação estrutural adotada atualmente pela FDE e, principalmente, do formato do terreno, próximo do triangular. A extensão do edifício, de quase 95 metros (por 22 metros de largura), foi encaixada no lote partindo do paralelismo com o maior lado do triângulo, ocupando quase toda a linha dessa divisa.

Por outro lado, os autores ajustaram a topografia ao programa escolar, criando dois platôs principais - ambos demarcados pela cor azul, mas cada qual em uma extremidade da construção e destinado a uso diverso. Na porção sul, fica a entrada de alunos, com o chamado galpão (recreio coberto) abrigando cantina e sanitários no térreo, e salas de aulas no piso superior. Voltado para o norte, o outro núcleo tem três pisos. No mais baixo estão a secretaria e a diretoria, com entrada independente; acima (na mesma cota do galpão) ficam as salas de informática e de múltiplo uso, além da biblioteca; no último pavimento se localiza outro grupo de salas de aulas.

No centro da construção, entre os dois blocos laterais, a quadra coberta torna-se ponto focal do projeto. Com pé-direito triplo, ela possui um terceiro acesso, eventualmente utilizado como saída de alunos ou entrada de usuários da comunidade. Destacam-se naquele espaço três elementos.

O primeiro são os brises de madeira, que contrastam com os elementos de proteção ao sol usualmente escolhidos pelos projetistas de escolas do gênero - geralmente de concreto, de cerâmica e, em casos raros, de metal. Por outro lado, esse recurso é uma constante na obra dos autores: basta lembrar as clínicas de Orlândia, que Bucci desenhou em associação com o escritório MMBB (leia PROJETO DESIGN 237, novembro de 1999, e 248, outubro de 2000), ou as casas de Puntoni, tanto na serra (PROJETO DESIGN 249, novembro 2000) como no litoral, de que é exemplo a recém-exposta em Paris. Na forma como foram utilizadas na escola - elevadas, como grande bandeira -, as peças de madeira se aproximam mais dos exemplos de Puntoni, apesar de ambos terem projetado juntos, em 1993, a pousada de Juquehy (PROJETO DESIGN 207, abril de 1997), onde os fechamentos no alto lembram vagamente a unidade da FDE.



Escrito por marcelo às 14h59
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Escrito por marcelo às 14h56
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Anoitecendo

O segundo elemento em destaque são as passarelas metálicas que interligam os dois núcleos de salas de aulas, transformando o acesso em promenade architecturale. Como um grande H suspenso sobre o piso da quadra, o conjunto é pintado na cor vinho - semelhante à escolhida por Paulo Mendes da Rocha para a Pinacoteca do Estado (leia PROJETO DESIGN 220, maio de 1998) - e foi atirantado às vigas da cobertura, que vencem vão de 22 metros.

Por fim, o último elemento a se destacar no espaço central da escola são os dois painéis criados pelo artista plástico Speto, conhecido por seus grafites. Mais freqüente no modernismo carioca do que no paulista, a integração de arquitetura e artes plásticas hoje quase não existe no Brasil. As obras de Speto na unidade de ensino desenhada por Bucci e Puntoni possuem a força simbólica de retomar uma importante relação, com a qual os arquitetos parecem não mais se importar.

Os acessos de alunos às salas de aulas formam uma
promenade architectural
 
Os acessos de alunos às salas de aulas formam uma
promenade architectural
O volume de circulação foi pintado de amarelo…
 
… enquanto os platôs foram demarcados por azul e a estrutura metálica pela tonalidade vinho



Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 314 Abril de 2006

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - 15/05/2006

Maria Ruth Amaral de Sampaio: Professora da FAU e especialista em habitação precária

´60% do espaço urbano é feito sem intervenção profissional´
Entrevista
Maria Ruth diz que cortiços são instituição antiga e pouco conhecida, e que universidade tem muito a contribuir
Especialista em habitação precária, a socióloga Maria Ruth Amaral de Sampaio, diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) entre 1998 e 2002 e atual professora e coordenadora do Laboratório de Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo, defende o envolvimento prático de estudantes das diversas áreas de ensino no desenvolvimento de soluções para a cidade. Ela coordena, no Brasil, o programa Profissionais da Cidade, da Unesco, que procura incentivar a aproximação entre universidade e sociedade.

A universidade está distante da vida real?
Unir a prática à atividade acadêmica e aproveitar a produção de conhecimento resultante dessas experiências é um dos objetivos perseguidos pela FAU. Hoje, 60% do espaço urbano é produzido sem intervenção profissional adequada. Os universitários precisam de experiência. E o conhecimento deles seria útil no desenvolvimento de soluções para a cidade ao mesmo tempo em que contribuiria para sua capacitação. O que falta é um incentivo às universidades públicas e privadas. Em São Paulo, fizemos uma tentativa de parceria com a prefeitura, na gestão Marta Suplicy (PT), para dar bolsas aos estudantes envolvidos em projetos da cidade, mas não foi para frente.

Como surgiu o projeto de requalificação do prédio na Rua Solon?
Em 2002, propusemos aos alunos da disciplina Habitação Popular Paulistana que fizessem seu projeto de pesquisa in loco no cortiço e eles aceitaram. O o projeto contou com o apoio e a organização dos moradores, o trabalho de outras faculdades, a iniciativa privada, ONG, mas teve pouco apoio do poder público. A idéia era que fosse um projeto piloto a ser estendido pela prefeitura a outros cortiços do centro.

Qual é a solução para os cortiços?
O cortiço é a mais antiga forma de habitação precária em São Paulo. Existe desde o século 19. É também a menos estudada. Por isso, a experiência da Rua Solon é importante. Incentivar a participação da iniciativa privada e das universidades na promoção da habitação de interesse social é uma alternativa a ser perseguida.
Os atuais programas, como o de Arrendamento Residencial, da Caixa Econômica Federal, assim como outros estaduais e federais, têm atuação limitada.
Eles exigem a regularização do imóvel. Mas a maioria da população em situação precária vive em locais irregulares. Isso dificulta sua aplicação. O mesmo ocorre com o Fundo Nacional de Habitação.

Qual a principal urgência da habitação em São Paulo?
O atendimento da população que mora em local de risco de incêndios, inundações, deslizamentos. Parte do problema poderia se resolver com a requalificação dos vários prédios abandonados no centro. O direito à moradia digna é garantido tanto pela Constituição quanto pelo Plano Diretor de São Paulo. ? A.C.


Escrito por marcelo às 04h44
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FOLHA DE S. PAULO - 14/05/2006

1ª casa modernista do país está em ruínas

FABIO SCHIVARTCHE
DA REPORTAGEM LOCAL

A Casa Modernista da Vila Mariana, um dos imóveis mais importantes da arquitetura de São Paulo, está em ruínas e sua situação é considerada "emergencial" pelos órgãos que cuidam do patrimônio cultural e histórico.
Dois laudos técnicos, realizados em julho de 2005 e em janeiro deste ano, indicam que há risco imediato para a integridade da construção. Mesmo após os alertas, o Estado nada fez na prática para evitar a degradação.
Portas e janelas quebradas permitem a entrada da chuva e do vento. Não há assoalho no primeiro andar, a fiação elétrica está exposta e a ferrugem corrói o que restou. Com a ação da umidade, todas as partes montadas com madeira estão apodrecendo.
O golpe de misericórdia foi dado em março, com a queda de uma árvore de mais de 20 metros de altura, que danificou as paredes e o telhado de um anexo do imóvel, tombado desde os anos 1980. Há dezenas de árvores de grande porte no jardim ao redor que ameaçam cair sobre a casa.
Construída em 1927 pelo arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik para servir como sua residência na cidade, o imóvel transformou-se em um marco nacional: é a primeira casa da arquitetura modernista no país.
Foi uma revolução para a época. O interior da casa seguia os preceitos modernistas de funcionalidade. Em vez dos detalhes rebuscados, a casa exibia linhas geométricas. As cores fortes -paredes vermelhas e verde-limão, cortinas azuis e estofados de veludo violeta- e a decoração eram uma novidade na cidade, cuja elite ainda vivia sob a influência cultural dos antigos barões do café.
Atualmente, a casa está coberta por tapumes, uma tentativa de esconder o abandono. Do lado de fora, os cerca de 50 visitantes que diariamente freqüentam o parque de 13 mil metros quadrados ao redor da casa nada vêem. As visitações estão proibidas. Nem mesmo os escoteiros que treinam todos os sábados entre as árvores do parque podem entrar.

Descaracterização
Segundo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), "o edifício perdeu muitos de seus componentes originais, quer pelas obras de recuperação [paralisadas há mais de quatro anos], quer pelo processo de deterioração que o atingiu".
Para o DPH (Departamento do Patrimônio Histórico da prefeitura paulistana), que vistoriou o imóvel em janeiro deste ano, "o estado de conservação do bem tombado é precário".
A casa foi tombada no ano de 1984, depois de disputa entre os herdeiros do arquiteto Warchavchik e moradores da região, que impediram a instalação de um condomínio e transformaram a área em um parque.

Restauro incompleto
Em 2001, a Secretaria de Estado da Cultura iniciou o restauro da Casa Modernista. No ano seguinte, a Folha noticiou o projeto de recuperação do imóvel anunciado pelo governo estadual. Seriam gastos R$ 1 milhão para a restauração completa. Mas, na prática, apenas o telhado e alguns azulejos dos banheiros foram trocados.
A secretaria recebeu a cópia dos dois documentos, que contam com fotos do imóvel. Mas nada foi feito para minimizar a degradação da casa.
Sem se identificar, funcionários que lá trabalham contam que eles próprios se organizam para cuidar do jardim. Outras árvores de grande porte ameaçam cair. Mas, sem equipamentos e com a demora da burocracia para liberar a poda em uma área tombada, eles pouco podem fazer.
O governo estadual alega que a reforma está incompleta porque houve demora na obtenção de licenças da prefeitura e na liberação da verba do Orçamento.
O DPH, órgão da Prefeitura de São Paulo, contesta. "Faltou dinheiro por parte do Estado e houve problemas na condução da obra", afirma Mirthes Baffi, diretora da divisão de preservação do departamento.
Ela nega que os órgãos municipais que cuidam do patrimônio público tenham dificultado a continuidade da reforma, afirmando que a obra parou antes mesmo de necessitar do aval da prefeitura.
"A restauração estava anulando certos elementos originais da Casa Modernista, com a troca das vigas estreitas de madeira que sustentavam o piso. Gastou-se tempo e dinheiro para consertar o erro cometido. E agora o imóvel sofre com a falta de verbas", diz Baffi.

"Falta de interesse"
Para o arquiteto e sociólogo Nestor Goulart Reis Filho, professor de história do urbanismo da USP (Universidade de São Paulo), o descaso com a Casa Modernista de Warchavchik é "um reflexo da falta de interesse político com a preservação da história nacional".
"O valor cultural da obra de arte, da qual a arquitetura faz parte, não é objetivo, mas simbólico. Se os órgãos de governo não reconhecem esse valor, a população terá mais dificuldades para compreendê-lo", diz Reis Filho.
O vereador Juscelino Gadelha (PSDB), membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental, o Conpresp, afirma que são necessários mais recursos. "São Paulo perde sua memória com a degradação de prédios históricos", diz.

 



Escrito por marcelo às 05h29
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OUTRO LADO

Estado diz que verba a atrasou, mas fará reforma

DA REPORTAGEM LOCAL

O governo do Estado de São Paulo diz que conseguiu recentemente a liberação de R$ 500 mil para continuar as obras de recuperação da Casa Modernista da Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
Segundo a diretora do Departamento de Formação Cultural da Secretaria da Cultura, Maria Bernardete Passos, está sendo feita a licitação para os reparos. "Atrasou por vários motivos. Primeiro, o órgão municipal de patrimônio histórico [Conpresp] só autorizou a obra em dezembro do ano passado. E, neste ano, o Orçamento do Estado só foi votado em fevereiro pela Assembléia Legislativa. A verba, até então, não estava liberada."
Ela diz que foram liberados R$ 500 mil para a primeira etapa -"obras emergenciais para recuperar a estrutura". Maria Bernardete calcula em R$ 3 milhões o total necessário para revitalizar o imóvel e o parque.
Sobre a poda das árvores, diz que o pedido já foi remetido ao Condephaat, órgão estadual responsável pelo patrimônio histórico.
(FS)

Por estilo, arquiteto mudava planta

DA REPORTAGEM LOCAL

Nascido na Ucrânia em 1896, Gregori Warchavchik tornou-se um dos mais importantes nomes da arquitetura moderna brasileira. Ele emigrou para São Paulo em 1923 e, quatro anos mais tarde, casou-se com Mina Klabin, filha de um grande industrial da elite.
São de sua autoria os projetos das sedes de clubes tradicionais da cidade, como Paulistano, Hebraica, Tietê e Pinheiros.
Suas iniciativas, no entanto, não foram consenso naquela época. Warchavchik teve dificuldades para colocar em prática as suas concepções arquitetônicas, que davam preferência às formas geométricas. A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, não aprovava as fachadas lisas que ele projetava.
Para contornar o problema e tocar a empreitada a seu gosto, o ucraniano incluía ondulações na planta original da construção -e obtinha, com isso, a aprovação.
Quando precisava da liberação para a moradia, afirmava que a obra estava "inacabada" por falta de recursos. E novamente ganhava o aval oficial.
A Casa Modernista da Vila Mariana, na zona sul paulistana, foi a maneira que Warchavchik encontrou para pôr em prática suas idéias inspiradas na Semana de Arte Moderna de 1922, com o uso de de materiais novos, como ferro, vidro e concreto armado, e a idéia de que a beleza é resultante das soluções lógicas e técnicas ditadas pela funcionalidade.
Gregori Warchavchik morreu em 1972, quando estava com 76 anos. Sua obra na Vila Mariana foi tombada nos anos 1980.



Escrito por marcelo às 05h29
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